Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Casa d'avó Madalena

Casa de uma matrafona que mora na Aldêa, passa o dia assentada no pial a dizer patochadas

Casa de uma matrafona que mora na Aldêa, passa o dia assentada no pial a dizer patochadas

Casa d'avó Madalena

07
Abr14

...


Avó Madalena

Hoje deparei me com uma situação que me transtornou imenso... num dos caminhos diários e rotineiros saltou-me á vista um monte de lixo, que para além de estar longe dos caixotes, não estava lá no dia anterior.. chamou-me a atenção, não sei bem porque... parece que me atraia...dei meia volta e parei o carro.

Sai nas calmas e meio envergonhada de me verem a cuscar o lixo alheio, mas aquele não me parecia um lixo normal...

Como tinha chovido, só consegui atirar uns olhares furtivos por entre os vestígios de uma vida... fotografias, cartas, livros, malas, algumas roupas e bens pessoais... a lixeira parecia querer dizer "morri e deitaram-me para aqui", Ali terminou uma vida cheia de aventuras e desventuras, fotos de sorrisos misturadas com revistas antigas.. muitos livros escolares de histórias, uns óculos graduados, uma pequena pochete.... um leque mais ali... debaixo de um velho cortinado mais fotografias, mais sorrisos, mais cartas... o lixo contava me uma história... uma história que terminou abandonada na berma de uma estrada, á chuva...

Quantas histórias ficaram por contar, quantos segredos calados para sempre.... será que também vou acabar assim? Que as coisas que guardo com amor e que contam a minha história também serão atirados para o lixo?. Não servirão os meus livros para outros leitores? As minhas roupas para quem delas mais precisar? E o sofá? ninguém o vai querer? Os meus netos nunca conhecerão o rosto dos antepassados, mesmo que não saibam os nomes ou as histórias de vida? Termina-se assim? Num abandono repugnante na valeta de uma estrada, á chuva... Não ensinamos nada a ninguém? Nem uma alma foi tocada por aquele ser que foi despojado dos seus bens mais íntimos ali, á chuva?

Eu sei que o desapego é importante, o material é supérfluo, mas algumas peças podem ajudar outros, os livros podem ser doados a instituições, bibliotecas... assim, abandonado  parece que nunca existi... nunca chegarei a saber quem era o dono de tais pertences, mas ficara para sempre marcado a leviandade com que foi despojado e abandonado na berma de uma estrada

Follow my blog with Bloglovin Top blogs de receitas

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D