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Casa d'avó Madalena

Casa de uma matrafona que mora na Aldêa, passa o dia assentada no pial a dizer patochadas

Casa d'avó Madalena

Casa de uma matrafona que mora na Aldêa, passa o dia assentada no pial a dizer patochadas

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Avó Madalena, 23.05.13

Hoje sai da minha zona de conforto, e voltei ao voluntariado, desta vez num centro de dia. 

Aproveitei que estou de férias e fui dar um pouco do meu tempo em troca de sorrisos, abraços e carinho sinceros.

Hoje recebi mais do que deu, sai do centro de dia feliz e com saudades de mim, de quando optei pelo curso que tirei, dos sonhos que tinha na altura, os projectos que não concretizei. Mas com a convicção de que fiz a escolha certa, é o que gosto, o que me faz sorrir e sentir útil.

Mimar os avós. Dar a mão, escutar. . . basta escutar para fazer alguém feliz, dedicar um bocadinho de tempo a alguém que tem todo o tempo do mundo e que possui em si um mundo de experiencias, sabedorias e memorias.

Hoje fui feliz!

Dei um pouco de mim e recebi em troca uma manhã fantástica, sai com um sorriso de orelha a orelha, uma lágrima no canto do olho e uma vontade enorme de voltar.

Tinha esquecido que ser voluntária é muito mais do que dar, é receber. Eu que tenho de agradecer a todas as pessoas a possibilidade que me dão de conviver com elas, de partilhar as memórias, a alma. De minimizar um pouco esta saudade que tinha da minha avó. 

Dá me pena a solidão no olhar, entrar na sala e olhar para seres inanimados, quietos, a olhar para o vazio. Deram tanto de si, têm tanto para partilhar, um testemunho a deixar. Apenas precisam que alguém os escute, que guarde dentro de si algumas das suas histórias e saberem, assim os corpos partem, mas um bocadinho da alma fica por aqui, dentro de cada um de nós que os ouviu, que lhes deu a mão.


Tenho medo disso.... de morrer sem deixar testemunho, sem deixar rasto da minha presença. Por isso tento tanto gravar todas as memorias da minha avó Madalena, é uma forma de ela viver, de deixar a marca dela em mim, um pouco do seu testemunho, da sua alma. Uma vida cheia de alma, não pode terminar apenas porque o corpo sucumbiu ao cansaço, é necessário preservar as histórias, os costumes, o passado. Essa é uma parte importante da minha identidade.

Recordar as histórias dos mais velhos é "ressuscita-los", dar lhe a valorização que merecem.

Só tenho a agradecer o tempo passado com os meus avós, devo-lhes o que sou, quem sou.

V

 

 


 

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