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Casa d'avó Madalena

Casa de uma matrafona que mora na Aldêa, passa o dia assentada no pial a dizer patochadas

Casa d'avó Madalena

Casa de uma matrafona que mora na Aldêa, passa o dia assentada no pial a dizer patochadas

Noite de S. João

Avó Madalena, 23.06.13
Hoje comemora-se a noite de S. João!
No meu baú de memorias salta uma viagem ao Porto com os meus pais. Lembro-me que passei a noite nos ombro do meu pai, muito feliz a dar com o martelinho em todos os que passavam. O barulho, o cheiro, as cores, uma magia. Lembro me da minha levar levar com um alho porro na boca que se transformou numa piada privada / familiar até hoje.
Na rua onde cresci acendiam-se fogueiras. Passava mos a noite a salta-la e a jogar ás escondidas aproveitando as sombras da noite. Adorava estas noites mágicas. Éramos miúdos felizes, livres. 
Estarei a ficar velha? Tenho saudades do meu passado e tenho pena que  meu filho não tenha algumas destas experiencias. A liberdade de sair de casa com os amigos, de ir para o largo saltar a fogueira. No dia em que ele se chegar assim do fogo acho que tenho uma  paragem cardíaca. E deixa-lo brincar na rua até ás tantas como eu o fazia todas as noites de verão? Jamais!!!
O mundo evolui mas nem tudo para melhor... e eu fico a sentir que vivi muito melhor a infância, os amigos, a vizinhança no meu tempo que o M. alguma vez terá. Existia uma inocência, uma segurança que se perderam .. Algures pelo caminho perderam-se as tradições e a nossa identidade.. Hoje mesmo o meu filho está na mesma rua, na mesma casa em que eu me encontrava há anos e as circunstâncias são completamente diferentes.. não tem fogueiras, não tem jogos de escondidas nem o grupo de amigos que eu tinha que perdura até hoje.
viva o Santo António viva o São João 
viva o dez de Junho e a restauração 
viva até São Bento se nos arranjar 
muitos feriados para festejar

Hoje seria também o aniversário do meu avô João, quem tive o prazer de conhecer, conviver e ser amada. Dele guardo na memorias os olhos verdes, o olhar ternurento, o cajado, o relógio de bolso. 
Espero que a minha memoria não me atraiçoe algures pelo caminho e que me permita reviver estes momentos felizes, estas recordações que me aquecem a alma. E por estas recordações que me abraçam nas noites mais frias e escuras tenho de  agradecer e tenho de proporcionar ao meu filho as oportunidades necessárias para que o coração dele se encha de felicidade e de memórias positivas.
Eu era tão feliz ... e não sabia