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Casa d'avó Madalena

Casa de uma matrafona que mora na Aldêa, passa o dia assentada no pial a dizer patochadas

Casa d'avó Madalena

Casa de uma matrafona que mora na Aldêa, passa o dia assentada no pial a dizer patochadas

A pochet que não me larga

Avó Madalena, 20.03.14


Desde que comecei a medicação para a depressão que o meu corpo saiu do meu controlo, coincidência ou não a verdade é que engordei 10Kg....Agora sinto-me gorda, olho para baixo e vejo a barriga a fugir das calças, o botão da camisa a querer abrir... Olho para o rabo e a celulite mete medo. Cada vez que me mexo sinto-me presa, presa neste corpo que não me pertence.

Recuso olhar me ao espelho, a imagem do outro lado, desconheço quem seja aquela "senhora grávida". Quando falo com alguém chamam-me tola, dizem que assim que estou bem... mentiras.

Sempre fui magra, desportista e agora esta pochet que tenho agarrada á barriga não me larga.

Cada vez que como sinto-me culpada... a minha obsessão pelo pão aumentou e cada vez que me lembro da cara de gozo do psiquiatra quando me disse que a medicação iria aumentar o apetite apetece-me gritar.

Quem lhe disse que eu queria engordar? Quem lhe disse que passar o dia a pensar em comida era bom para mim?

Odeio o pão, a balança, a medicação e o psiquiatra.

Odeio a minha gula e a minha insatisfação. 

Agora dou valor ao sofrimento das pessoas mais fortes, sinto na pele a decepção e a fraqueza.... 

Preciso ser forte, preciso controlar-me a mim e a esta fome permanente, preciso de me cuidar