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Casa d'avó Madalena

Casa de uma matrafona que mora na Aldêa, passa o dia assentada no pial a dizer patochadas

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Sorrir...

Avó Madalena, 12.05.20

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Sorrir parece ser uma coisa natural, inata... uma troca de olhares, um toque agradável, a lembrança de uma memória ou de uma piada e os nossos olhos e a boca simplesmente descontraem e riem.

Eu não... não sorrio, programei a minha mente e a minha fisionomia a não esboçar um sorriso. Desde a infância que tenho problemas dentários e desde a mesma altura que o trauma e o pavor de dentista me leva a fugir, a desmaiar e até mesmo a morder o médico... Um horror... Mais de 20 anos sem sorrir, a fugir de fotografias, a não ter oportunidades de emprego, a ser olhado com um meio nojento... e eu compreendo.... mas dói..

Finalmente consegui juntar algum dinheiro e muita, mas muita coragem e deixei que um casal maravilhoso de dentista iniciassem um tratamento severo na minha dentição. Extracções, pontos, prótese provisória... .

Ontem, no final da consulta, e de pois de ter extraio os últimos dentes do maxilar superior, fiquei de pé, com a prótese colocada a chorar em frente ao espelho... Não consegui sorrir, não porque não sentisse a felicidade, mas simplesmente porque já não sei como é.... esboço aquele micro sorriso de boca fechada e já está..

Quem diria que teria de reaprender a sorrir? E rir? Como será rir? Gargalhar com voz alta e cheia de vontade?

É muito difícil para uma pessoa com caries ou sem dentes ter uma "vida normal", somos olhados de lado, perdemos oportunidades e a nossa auto estima não existe.

Ontem senti que estou a renascer, que quando este isolamento terminar e eu sair finalmente a sorrir, literalmente com todos os dentes que tenho na boca será como se a lagarta que há em mim, finalmente descobrisse que é uma borboleta.

Ontem também descobri o meu objectivo e missão: tentar ao máximo ajudar quem está na mesma situação que eu, procurar clínicas, orçamentos, parcerias, sponcers.. ajudar os outros a sorrir, porque depois de um sorriso e de uma boca sã, é todo um mundo de novas oportunidades que se abre para nós.

Se estás desse lado, a ler e te identificas, por favor, não desistas! Eu demorei mais de 20 anos mas hoje finalmente sei que posso rir sem ter vergonha!

 

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